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‘Zika não foi trazido ao Brasil na Copa do Mundo’, diz estudo

160319160540_zika_virus_640x360__nocreditDesde o início do surto de Zika e de casos de microcefalia no Brasil, passou-se a especular qual teria sido a origem do vírus e como ele teria chegado ao país.

Uma das hipóteses mais “populares” – que circulava principalmente entre torcedores de futebol – era a de que o Zika teria sido trazido para o Brasil na Copa do Mundo, quando milhões de turistas estrangeiros desembarcaram no país para o Mundial.

Mas essa “teoria” foi descartada por um estudo conduzido por cientistas britânicos e brasileiros, que buscaram os caminhos que o Zika percorreu para chegar ao Brasil.

As descobertas, divulgadas na publicação científica Science, sugerem que o Zika chegou ao país entre maio e dezembro de 2013.

Isso foi muito antes de os primeiros casos terem sido detectados, em 2015.

Outra ideia popular era de que o vírus teria chegado ao Brasil durante o Campeonato Mundial de Canoagem de Velocidade, em 2014 – essa teoria também foi descartada pela pesquisa.

Caso zero

Para rastrear as origens de um vírus, é preciso estudar a genealogia genética dele. Os pesquisadores analisaram o código genético de sete amostras de Zika colhidas pelo Brasil.

Primeiramente, descobriram que todos os vírus estavam relacionados diretamente, o que sugere que a infecção foi trazida ao Brasil por apenas uma pessoa.

Desde então, o vírus se espalhou por 34 países ou territórios.

Mas o Zika ainda é um vírus que tem frequentes mutações. As pequenas diferenças encontradas em cada amostra permitiram aos cientistas construir uma árvore genealógica do Zika e estimar quando seu ancestral comum chegou ao Brasil.

Segundo essa conclusão, o vírus foi trazido para o Brasil em entre o meio de 2013 e o fim daquele ano.

O professor Oliver Pybus, da Universidade de Oxford, disse à BBC que a forma como o vírus chegou à América ainda é incerta. “Não conseguimos ainda afirmar como ele chegou, mas certamente parece que o vírus já havia sido trazido ao continente antes do início da Copa de 2014”, afirmou.

“Nós também analisamos os números de passageiros que embarcaram de países que haviam tido casos de Zika nos últimos anos e quem desembarcou no Brasil. E encontramos um aumento de 50% no número de passageiros ao longo dessas rotas. Isso poderia ser uma razão pela qual o vírus apareceu quando apareceu.”

O vírus que se espalhou pelas Américas é muito parecido com o que foi detectado na epidemia que tomou conta da Polinésia Francesa em 2013.

Os cientistas, porém, dizem que a ausência de amostras de outros países – principalmente do Leste da Ásia – faz com que ainda não seja possível afirmar com 100% de certeza que o vírus que chegou a Brasil veio mesmo da Polinésia Francesa.

Microcefalia

Uma das maiores preocupações com a epidemia diz respeito a seu elo com os casos de microcefalia que se multiplicaram no Brasil.

Nuno Faria, um dos pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, afirmou que as informações deles são “consistentes” com a teoria de o Zika estar relacionado à má-formação nos bebês.

Mas ele também alerta que ainda é preciso realizar mais estudos para confirmar a relação: “Teremos uma noção muito melhor sobre o vírus no fim deste ano”.

A análise não conseguiu detectar nenhuma mutação significante no vírus que poderia afetar o desenvolvimento dos cérebros.

Os cientistas sugerem que pode haver uma “coinfecção” com outras doenças como chikungunya, ou um histórico de dengue ou mesmo a baixa imunidade para explicar o surto de microcefalia.

“O surgimento do vírus da Zika levando a um surto generalizado pode parecer surpreendente. Mas a maneira como aconteceram outros surtos de Zika e de dengue sugere que isso, na verdade, não é tão incomum”, afirmou o professor Martin Hibberd, da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

“Nas condições certas, com mosquitos suficientes e aglomeração de pessoas, o vírus pode se espalhar rapidamente.”

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